Curso SESC

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Curso Fotografia e Cidade

São Paulo vive um momento particular de sua história. Mais do que nunca os espaços públicos são ocupados por sua população que o reinvidica tanto a partir da presença física, quanto pela busca incansável por criar sua imagem.

A todo instante a cidade impõe novas visualidades, mas suas dimensões fogem à capacidade humana de imagina-lá como um todo. Como estabelecer vínculos entre o espaço físico e o sujeito em meio ao ritmo frenético da vida contemporânea? Como lidar com o anestesiamento ocasionado pelo excesso de informação e toda sorte de impactos visuais a que somos submetidos no dia a dia? De fato o observador deve enfrentar estas questões se quiser assumir um papel ativo e criativo na formação da imagem do mundo que o cerca. Neste sentido, a fotografia se torna uma das ferramentas mais adequadas para permitir um olhar capaz de dar conta desta multiplicidade.

Este curso pretende discutir a desafiadora tarefa de constituir um olhar sobre a cidade. Para isso serão abordados autores como Kevin Lynch, Nelson Brissac, Francesco Careri, Hal Foster e Walter Benjamin, a fim de complementar ou contrapor estas idéias.

Uma série de artistas visuais e fotógrafos também serão tratados com o objetivo de especular as diversas possibilidade de construção da imagem de um contexto urbano como São Paulo, sempre voltando a atenção simultaneamente para seu potencial enquanto expressão poética e postura política.

A partir de ações práticas e das provocações colocadas em sala, a grupo será incentivado a produzir em campo. O material gerado será compartilhado e servirá de base para uma discussão de encerramento.

Quinta-feiras entre os dias 07/06 e 05/07

Das 19 às 22 h

Inscrições pelo site

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Prêmio Diário Contemporâneo

TRAUMA selecionada no Prêmio Diário Contemporâneo 2018!

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Após avaliação intensa das obras inscritas, a comissão de seleção e premiação desta edição, composta por Rosely Nakagawa (SP), curadora e pesquisadora; Walda Marques (PA), fotógrafa e Flavya Mutran (PA), artista e professora, escolheu os trabalhos que irão compor a exposição do 9º Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia.

A partir da temática “Realidades da imagem, Histórias da Representação” vieram 300 dossiês de todas as regiões do país concorrendo a um dos três prêmios no valor de R$ 10.000,00 cada, sendo dois deles concedidos na forma de bolsa para residência artística nas cidades de São Paulo e de Belém.

O início dos trabalhos de seleção foi marcado por uma conversa com o curador do projeto, Mariano Klautau Filho, que abordou a trajetória do Prêmio e destrinchou a temática escolhida para 2018.

Cada ano traz um processo de seleção particular. A proposição temática entra em contato com o artista e o trabalho deste entra em contato com o olhar da comissão. “Devemos pensar as relações que a arte tem com a sociedade, com a realidade, com o contexto social”, observou Flavya.

O alto nível dos trabalhos inscritos fez com que a comissão optasse por aumentar o número de contemplados. Inicialmente o edital previa a escolha de até 20 trabalhos, já contando com os três premiados. Ao final, 26 trabalhos integrarão a mostra.

Criado em 2010, o Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia trata-se de um projeto nacional, que em seus anos de atuação contribuiu para a consolidação do Pará como lugar de reflexão e criação em artes, além de proporcionar o diálogo entre a produção local e nacional. É uma realização do jornal Diário do Pará com apoio da Vale, apoio institucional do Museu do Estado do Pará – MEP, do Sistema Integrado de Museus/Secult-PA e do Museu da UFPA.

Veja abaixo a lista completa dos fotógrafos premiados e selecionados:

  • Prêmio Diário Contemporâneo – Edu Marin Kessedjian (SP)
  • Prêmio Residência Artística São Paulo – Ionaldo Rodrigues (PA)
  • Prêmio Residência Artística Belém – Ricardo Ribeiro (SP)
  • Ana Lira (PE)
  • André Penteado (SP)
  • Camila Falcão (SP)
  • Élcio Miazaki (SP)
  • Emídio Contente (PA)
  • Fernando Schmitt (RS)
  • Fernando de Tacca (SP)
  • Gabriela Lima (RJ)
  • Ivan Padovani (SP)
  • João Castilho (MG)
  • João Paulo Racy (RJ)
  • José Diniz (RJ)
  • Marcelo Kalif (PA)
  • Marcílio Caldas Costa (PA)
  • Marco A. F. (RS)
  • Maurício Igor (PA)
  • Natasha Ganme (SP)
  • Paulo Baraldi (SP)
  • Pedro Clash (SP)
  • Roberto Setton (SP)
  • Sérgio Carvalho (PI)
  • Thiéle Elissa (RS)
  • Tiago Coelho (RS)

The Father Of Lightnings

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A partir da década de 1920, a corrida pelo desenvolvimento fez com que São Paulo virasse as costas para seus rios. O progresso reivindicava os leitos para asfaltar avenidas, as várzeas para levantar prédios e as águas para gerar energia elétrica, impulsionando a expansão industrial e demográfica da região e fundando as bases do urbanismo distópico que caracteriza a metrópole até hoje. A Hidrelétrica Henry Borden de Cubatão -inaugurada em 1926- constitui um marco fundamental deste círculo vicioso. Para girar suas turbinas, Asa White Billings idealizou o Projeto da Serra do Mar, acarretando a retificação dos rios Tietê e Pinheiros, a inversão do curso deste último e a construção de barragens. Em função da excessiva poluição das águas que abastecem o sistema, a usina que já teve a maior capacidade energética da América Latina hoje opera com apenas 25% de seu potencial. Em 1927 o escritor Rudyard Kipling visitou a hidrelétrica durante
a viagem que inspirou o livro
“Brazilian Sketches”. Descreveu seu assombro no capítulo “The Father of Lightnings”, de onde provêm as frases desta publicação. Este fotolivro foi produzido coletivamente em Santos entre 5 e 8 de outubro de 2017, durante
a segunda edição do Valongo – Festival Internacional da Imagem.

Conceito e coordenação: Walter Costa, Ivan Padovani

Artistas participantes: Alexandre França, Bruna Berthond, Heloisa Lodder, Marina Ejima, Paulo Ochandio, Raphaela Boghi, Weslei Barba e Yuri Veroneze

No próximo dia 06 de março será abertura da exposição coletiva Paisagem Líquida, sob curadoria de Rosely Nakagawa. A partir das 19 h no Estúdio 321, rua Coronel Melo de Oliveira, 783.

 

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“Fixar-se ao solo não é tão importante se o solo pode ser alcançado e abandonado à vontade, imediatamente ou em pouquíssimo tempo. Por outro lado, fixar-se muito fortemente, sobrecarregando os laços com compromissos mutuamente vinculantes, pode ser positivamente prejudicial, dadas as novas oportunidades que surgem em outros lugares.”

zygmunt bauman, em modernidade liquida

O grupo “Paisagem Liquida” se formou a partir da reflexão sobre o conceito de imagem de paisagem e suas definições, envolvendo o território do homem na contemporaneidade e o esvaziamento de seu destino como lugar antropológico. A visão de paisagem buscando ampliar sua abrangência, no estudo de estruturação das imagens e seu contexto: paisagem e violência, paisagem e ficção, paisagem e objeto, paisagem e comoção, paisagem e cultura, paisagem e lugar , paisagem e tempo, paisagem e espaço.

Os autores trazem a inclusão do suporte como parte integrante da discussão no projeto, explorando a fruição e interação da obra com o publico. O que esta sendo mostrado é um trabalho em progresso, apenas uma provocação dos autores :

Arnaldo Pappalardo

Bruno Bernardi

Edu Marin

Ivan Padovani

Lucia Loeb

Mauricio Simonetti

e

da comissaria Rosely Nakagawa

Arqueologias Efêmeras

Trauma#21

 

Texto crítico produzido pela curadora Nathalia Lavigne para exposição TRAUMA 

Arqueologias Efêmeras

Convém fazer um breve exercício imaginativo ao olhar para as estruturas de concreto e vigas metálicas repetidas em série nas fotos de Ivan Padovani. Que história seria possível contar a partir dessas construções, caso nos deparássemos com elas daqui a mil anos? Se os edifícios e planos de uma cidade são também documentos materiais de uma civilização, que tipo de testemunho revelariam esses esqueletos urbanos congelados no tempo? Estariam inacabados ou semidestruídos, como indicam as marcas da ferrugem metálica escorrida sobre o concreto? Sua vocação monumental seria apenas uma intenção sem muito propósito, ou teriam sido erguidos para de fato celebrar alguma coisa, terminando como monumentos involuntários em homenagem à coisa alguma?

Há um estado de suspensão permanente nessas imagens. Como portais do tempo, elas parecem anunciar o prelúdio de uma nova fase ainda desconhecida. O futuro é imponente, ambicioso, promissor, mas não chegou e não se sabe quando vem. Enquanto isso, segue-se em um presente que se repete na forma de monótonas vigas de concreto, uma ao lado da outra, sob o mesmo céu monocromático com pouquíssimas variações de cinza.

A busca por arqueologias efêmeras de uma cidade que produz suas memórias sem muito refletir sobre o que guarda para o futuro é uma parte importante no processo do artista. Nessa nova série, ele acompanhou, durante dois anos (2015-17), um conjunto de obras de infraestrutura por São Paulo que haviam sido interrompidas nesse período. As construções inacabadas, embora fotografadas em lugares diferentes, parecem ser quase sempre as mesmas – a eliminação de qualquer outro detalhe na composição das imagens reforça esse aspecto. A cidade nunca é vista como um todo, mas em partes desmembradas, em registros aparentemente genéricos de lugar nenhum, não fossem pelos indícios tão familiares que evocam a paisagem urbana da capital paulista.

A repetição e o desmembramento têm também uma relação importante com o título da série e da exposição. Em O Retorno do Real (1996), o autor americano Hal Foster desenvolve o conceito de “realismo traumático” baseado na noção de trauma da psicanálise lacaniana, que entende a repetição como uma única maneira de acessar um real que nunca aconteceu; uma tentativa de retirar todo e qualquer significado das imagens até esvaziá-las completamente.

Na sequência montada logo na primeira parede, Ivan apresenta uma mesma fotografia multiplicada por cinco. Por um instante, olhamos as marcas e camadas que escorrem pela lateral do bloco de concreto tentando encontrar uma mínima diferença entre cada imagem, algum detalhe que indique uma progressão ou continuidade naquela cena, que poderia se repetir infinitamente. A mesma dúvida é apresentada em outros momentos, mas de forma contrária: estruturas que parecem as mesmas, fotografadas de outros ângulos, quando, na realidade, são todas distintas, embora muito similares umas às outras.

 

“Não há praga urbana que seja tão devastadora quanto a Grande Praga da Monotonia”, escreveu Jane Jacobs em Death and Life of Great American Cities (1961), uma das principais críticas ao plano urbano ortodoxo do modernismo. A autora parte de Nova York como exemplo para combater projetos que queriam adequá-la aos moldes do que era entendido como uma “grande cidade” na época, com viadutos e vias expressas atravessando bairros inteiros. Muitas dessas ideias respigaram tardiamente em São Paulo, a partir dos anos 1970.

As imagens de Ivan Padovani carregam um pouco da monotonia descrita por Jacobs, em que a falta de diversidade urbana leva uma cidade a ruir soturnamente. E aí restam apenas seus monumentos involuntários, vistos por ninguém. (Nathalia Lavigne)

TRAUMA

180203_TRAUMA_Zipper Galeria_0023Registro da exposição TRAUMA em cartaz na Zipper Galeria entre os dias 16 de janeiro e 24 de fevereiro de 2018. Sob curadoria da Nathalia Lavigne, o projeto faz parte do programa Zip’up.

Ivan Padovani – Trauma

Projeto Zip’Up.

Curadoria: Nathalia Lavigne

De 16 de janeiro a 24 de fevereiro

Zipper Galeria

Rua Estados Unidos, 1494

São Paulo – Brasil

zipper@zippergaleria.com.br

T +55 (11) 4306 4306

Horário de funcionamento

Segunda à sexta 10h–19h

Sábados 11h–17h